quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Ajuste rápido de câmbios
Foto: Ronaldo Huhm - Instrutor Técnico Shimano Latin America
O assunto deste artigo é de interesse de todos os amantes das bikes: ajuste de câmbios. Esse procedimento é simples e essencial, pois ajuda a preservar as peças da transmissão e evita que o passeio seja encurtado devido a uma possível quebra do componente.
Começamos o procedimento pelo câmbio dianteiro, que pode realizar uma comutação para coroas duplas ou duas comutações, em casos de coroas triplas. Este é um componente muito importante e o ajuste apropriado facilita muito a pedalada. Mas nem só de ajuste vive o câmbio dianteiro. É importante mencionar a compatibilidade de produtos.
Como mencionado, os câmbios podem ser:
  • Duplos (duas coroas)
  • Triplos (três coroas)
Atenção: procure evitar misturar produtos de marcas diferentes, pois os fabricantes empregam tecnologias diferentes que, se combinadas, podem não apresentar um bom rendimento.
As especificações do produto devem ser respeitadas para obter um rendimento de mudança satisfatório. É muito comum a combinação incorreta: coroas duplas X câmbio triplo. Existe a falsa impressão de que basta limitar o câmbio triplo que irá funcionar com coroa dupla, mas cada câmbio possui um perfil próprio, por isso é necessária a combinação do conjunto.

Raio X de um câmbio dianteiro

Agora que você já conhece alguns detalhes do câmbio dianteiro já podemos falar um pouco da regulagem. Ao observar o câmbio de perto você notará parafusos com as inscrições “H” e “L”, que significam HI e LOW, uma referência para a velocidade que aquela posição lhe proporcionará: HI - alta velocidade e LOW - baixa velocidade.
Ao ajustar o parafuso “H” você limitará a amplitude de movimento do câmbio, evitando assim que a corrente caia para fora do pedivela.
Ao ajustar o parafuso “H” você limitará a amplitude de movimento do câmbio, evitando assim que a corrente caia para fora do pedivela.

Trocadores

Além dos batentes, outro ponto muito importante para o funcionamento correto do câmbio é a tensão do cabo. Os câmbios são acionados a partir de um trocador ou alavanca que recolhe ou libera o cabo de acordo com o acionamento, fazendo com que o câmbio se mova conduzindo a corrente pelas engrenagens (coroas ou cassetes). Para que essas alavancas acionem os câmbios corretamente, de acordo com o passo indexado de cada marcha, a tensão do cabo deve ser apropriada: nem muito esticada nem muito frouxa.
Quando triplo, posicionado na coroa do meio e cassete maior, a placa interna do câmbio deve estar a 0.5 mm de distância da corrente. Na alavanca, geralmente existe um “esticador” que permite realizar o ajuste de tensão do cabo, possibilitando a sincronia das marchas. O procedimento para esticar ou soltar o cabo é o mesmo tanto para o câmbio dianteiro quanto para o traseiro. Em ambos podemos esticar ou afrouxar os cabos através desse esticador que fica posicionado no trocador ou no câmbio traseiro, mas nunca no câmbio dianteiro.

Câmbio Traseiro

No câmbio traseiro também existem os batentes ou limitadores que, assim como no dianteiro, possuem a mesma função, ou seja, limitar a área de atuação do câmbio. No entanto, no câmbio traseiro existe um outro parafuso de ajuste muito importante: o parafuso de “tensão B”.

Posicionamento do limitador de alta velocidade

Mas, cuidado: existe um ponto ao qual é necessária atenção: a gancheira do câmbio (parte do quadro da bike onde é fixado o câmbio traseiro). Caso haja uma queda ou batida no câmbio, essa peça serve como um fusível (inclusive, esta palavra é utilizada para designar a gancheira em alguns países latinos). Caso ela entorte, isso influenciará no trabalho do câmbio, uma vez que o mesmo ficará fora de alinhamento dificultando o ajuste e a troca das marchas. Nesse caso, procure uma loja especializada o quanto antes para realizar o alinhamento da gancheira ou até mesmo a sua troca. 

Posicionamento do limitador de baixa velocidade



segunda-feira, 27 de outubro de 2014


Canotes são simplesmente os tubos que prendem o selim ao quadro da bicicleta. Porém, apesar da função simples, é preciso saber escolher o modelo correto.


Canotes
Foto: Pedro Cury

Diâmetro

O diâmetro do canote não dá muita margem para escolha. É preciso que seja compatível com o diâmetro do quadro para que encaixe de maneira correta. Se for maior, não entrará no quadro e se for menor, ficará frouxo e não poderá ser fixado. Existe um certo padrão no mercado, porém existem exceções e canotes antigos com medidas fora desses padrões. Apesar das diferenças de diâmetros ser milimétrica, é muito importante usar a medida correta, pois o uso contínuo de uma medida errada pode danificar o quadro a longo prazo. Existem também adaptadores para o uso de um canote menor em um quadro de diâmetro maior, alguns deles funcionam corretamente, mas não é a solução ideal. 

Comprimento

Essa é a medida mais importante, pois vai definir o quanto o ciclista poderá levantar o selim. Além de verificar se a altura é correta para quem vai pedalar, também é preciso estar muito atento a quanto o canote entra. É preciso que ele ultrapasse a junção entre os tubos (ver figura), caso contrário há chances de danificar o quadro mesmo no primeiro passeio.
Aqui há alguma margem para escolhas. Caso a mesma bicicleta seja usada por mais de uma pessoa, é preciso escolher o canote que atenda a pessoa mais alta. No caso também da compra de um canote especial mais caro, um tamanho maior também é interessante, já que dará mais chances de aproveitá-lo em outras bikes ou em futuros quadros. Mas então, por que não comprar sempre um canote maior? Por dois motivos: nem sempre cabem em todos os quadros (pois o tubo do selim pode mudar de diâmetro internamente) e porque é um peso extra desnecessário. 

Material

Canotes podem ser feitos em aço, alumínio, titânio e fibra de carbono. A diferença principal será o peso.

Peso

Apesar de não ser o lugar mais importante para tirar peso da bicicleta, o canote também representa uma oportunidade. Um canote de mesmo diâmetro e medida pode ter uma diferença de peso de mais de meio quilo. Aqui vale a mesma regra geral dos outros componentes da bike: quanto mais leve, mais caro. Existem canotes de competição que são tão leves a ponto de restringir o uso de acordo com o peso do atleta.

Design

O design é outra característica importante. Aqui não falamos do design do tubo em si, mas sim do mecanismo que prende os trilhos do selim - popularmente chamado de "castanha".
Compatibilidade
Esses trilhos possuem diferentes diâmetros nos selins mais especializados e alguns canotes acabam tendo uma castanha específica para um determinado diâmetro máximo. Alguns selins também possuem o trilho com um formato oval, ao invés de circular, causando também essa incompatibilidade. Existem também sistemas especiais, nos quais ao invés de um par de trilhos, o selim possui outro tipo de encaixe. Nesse caso, o canote também precisa ser compatível.
Mecanismo de funcionamento
Outra característica da castanha é como ela permite o alinhamento do selim, tanto no ângulo que ele faz com o solo, quanto à sua distância horizontal. Alguns mecanismos são muito mais complicados de usar que outros ou não permitem um ajuste tão preciso. Existem castanhas que usam apenas um parafuso para fixação e ajuste do selim e outros que chegam a usar até 4.
Escala gráfica
Alguns canotes possuem ao longo do tubo uma escala com números impressos, o que serve como referência de altura para o ciclista. Assim, quem precisa ficar abaixando e subindo o selim constantemente ou compartilha a bicicleta, pode anotar ou memorizar a medida correta quando precisar reajustar. Algumas castanhas também possuem uma escala para a angulação e uma seta para o ajuste correto com a escala do trilho do selim.

 

Tecnologias Especiais

Canotes com suspensão
Existem alguns canotes no mercado que possuem sistema de suspensão integrado. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, isso não substitui a suspensão traseira da bicicleta, uma vez que não estão ligados à roda e só funcionam com o ciclista sentado. O uso é indicado apenas para maior conforto em bicicletas de passeio, especialmente devido ao peso extra. Recentemente, surgiu uma exceção: a marca alemã Canyon lançou um sistema de amortecimento com a própria estrutura de carbono do tubo do canote, oferecendo um maior conforto nas bikes de estrada, sem adicionar peso extra.
Canotes anti-vibração
Diferente dos canotes com suspensão, esses prometem diminuir as vibrações geradas em bicicletas de estrada de competição. Parece um detalhe pequeno, mas estamos falando de atletas que ficam por muitas horas seguidas em cima do selim.
Canotes Ajustáveis
Conforme mostramos na edição 009, a grande novidade do mercado são os canotes ajustáveis. Eles permitem o ajuste rápido (inclusive através do guidão) da altura do canote, sem a necessidade de desmontar da bicicleta.
Canotes Inclinados (set back)
Esses modelos, ao invés de seguirem uma linha reta, possuem uma inclinação para trás. Isso serve para uma melhor adaptação da posição do selim em alguns modelos de quadro e estrutura de atletas. Algumas vezes, um quadro pode ficar pequeno para o ciclista e um canote set back acaba por rdiminuir o problema.
Canotes Aerodinâmicos
Alguns canotes de bicicletas de estrada e triatlo possuem um formato oval para ser mais aerodinâmico. Porém, são compatíveis apenas com quadros específicos.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014


Revisão geral de câmbio
Foto: Shimano

Material Necessário

1.    Chave Allen 3 mm 
2.    Chave Allen 5 mm 
3.    Chave Phillips 
4.    Desengraxante 
5.    Graxa
6.    Pano limpo 
7.    Luvas de borracha
Desta vez vamos mais fundo na brincadeira. Sabe aquela história de "com as peças que sobrarem é possível montar um robozinho?". Pois bem, nesse caso não podemos nos dar a esse luxo. Os câmbios da bicicleta demandam uma manutenção periódica, que deve ser feita com muita atenção aos detalhes. São muitas peças pequenas e parafusos com roscas delicadas, por isso, é necessário muito cuidado.
Iniciamos a revisão removendo o câmbio da bicicleta, com o auxílio de uma Chave Allen 5 mm.
Após a remoção do câmbio, desmonte-o conforme os passos a seguir:
  • Solte as polias com a Chave Allen 3 mm. 
  • Remova o parafuso da mola principal com a Chave Allen 5 mm para soltar a haste do câmbio.
  • Remova os retentores dos rolamentos das polias.
  • Junte todas as pequenas peças e prenda com um anel ou abraçadeira plástica, para não perdê-las.
  • Lave tudo com um desengraxante.
Remova os retentores com cuidado. Esses retentores possuem uma lâmina metálica por baixo da borracha, tome cuidado para não amassar ao retirar o selo. Observe a condição do rolamento, caso ele esteja danificado será preciso substituir a polia.
Limpe bem as peças. Aplique desengraxante em todas. As partes articuladas do câmbio merecem atenção especial, mas nunca aplique solvente, pois nessas articulações existem anéis de borracha que são sensíveis a esse produto.
Esfregue bem com uma escova (pode ser uma escova de dentes) para alcançar os pontos mais difíceis. Para a sujeira mais impregnada, utilize uma escova de roupas com cerdas firmes.
Como em qualquer processo de revisão, as peças devem ser organizadas de forma a agilizar a montagem após a limpeza.
Organize as peças limpas
Após a desmontagem, lave todas as peças com cuidado e atenção. Agrupe todas as pequenas peças para não perdê-las! Para isso, você poderá utilizar uma abraçadeira plástica, pedaço de fio ou arame.
Após a limpeza de todas as peças, inicie a remontagem do câmbio.

Montagem

  • Atenção à posição para encaixe da mola.*
  • Posicione o anel de aço.
  • Instale o eixo central.
  • Aperte o eixo com Allen 5 mm.
* Ponto onde é possível “ajustar” a tensão da mola.
  • Gire a haste do câmbio como na figura.*
  • Instale o parafuso batente da haste.
  • Aperte com uma chave Phillips.
*Cuidado, a haste pode prender sua mão, caso você a solte.

Lubrificação e Montagem das Polias

  • Aplique graxa especial no rolamento.
  • Espalhe bem para a graxa penetrar no rolamento.
  • Recoloque o retentor.
O rolamento das polias deve estar sempre lubrificado, caso contrário a polia poderá travar e levar à quebra do câmbio.

Montagem da Polia Guia

Aplique graxa no rolamento, espalhando para que a graxa penetre nas esferas. Em seguida, recoloque o retentor. A polia guia possui esferas muito pequenas, cuidado ao manusear esse rolamento, pois as esferas são soltas.

Montagem da Haste

Monte a polia guia e a haste interna apertando o parafuso da polia, pois caso esse parafuso se solte, o câmbio poderá se quebrar. Para finalizar, instale o câmbio na bike e ajuste. 
Pronto para mais aventura! Bons treinos!

quarta-feira, 15 de outubro de 2014


Acidentes nas trilhas - Como prevenir
Foto: Shutterstock
Qual dica de segurança você considera ser de vital importância para um ciclista?
O ano de 2013 acabou e ficou marcado pelos vários acidentes e tombos de ciclistas nas trilhas realizadas pelos grupos e amigos que pedalam juntos. 
Assim como vemos um aumento do número de ciclistas, percebemos também um aumento do número de acidentes envolvendo tais ciclistas. 
Os dados estatísticos não podem ser apresentados aqui de maneira verídica, no entanto, os relatos cada vez mais frequentes nos chegam aos ouvidos e pela internet de uma forma triste e preocupante.
Dentre esses vários acidentes, há casos de ciclistas iniciantes e também de experientes. Infelizmente, um dos vilões é a negligência dos envolvidos por querer fazer alguma manobra mais difícil com a bike, passar no meio de dois ciclistas sem avisar, trocar de faixa sem olhar para trás, não utilizar boa iluminação ao descer lugares acidentados no pedal noturno ou até por conversar muito perto com outro ciclista.
Algumas dessas negligências acima citadas fizeram com que alguns amigos e parceiros do ciclismo parassem no hospital e, em alguns casos, precisassem até de cirurgia. 
Em outros casos, mesmo avisados sobre mata-burros, buracos, locais de difícil trânsito ou trechos com possível presença de animais, alguns não tomaram os devidos cuidados e se aventuraram demais. 
Mas podemos evitar esses tombos que prejudicam o próprio ciclista ou até mesmo o companheiro que pedala por perto. Vou descrever algumas dicas que ouvimos muito nas trilhas ou depois que acontecem os acidentes, e sobre os quais nos questionamos várias vezes:
1 - Sempre ir para as trilhas com todos os acessórios de proteção e a bike regulada.
2 - Ao pedalar à noite, levar um farol de boa iluminação. 
3 - Sempre ouvir o mais experiente e não abusar da bike. 
4 - Em passeios com muitos ciclistas, na troca de faixa ou de direção, sempre olhar para os lados e para trás.
5 - Quando quiser passar algum ciclista, avise. Não tente passar no meio de dois ciclistas sem avisar. Prefira sempre ultrapassar pela esquerda, como manda na regra de trânsito, que é como estamos acostumados. 
6 - Manter distância quando for conversar com outro ciclista para o guidão da bike não subir no outro e alguém ir para o chão. 
7 - Não descer rápido demais lugares que não conhece direito, independentemente do tempo seco ou chuvoso. 
8 - Não tentar pular algum mata-burro ou obstáculo que não tenha 100% de certeza que irá conseguir, ou até atravessá-lo de lado como muitos fazem.
9 - Em descidas de certa velocidade, manter a distância do ciclista da frente, pois assim caso algum venha a cair, há tempo para desviar do acidente. 
10 - Sempre levar um celular caso necessite de socorro rápido.
O mais importante é que você tenha consciência de grupo e, principalmente, tenha cuidado com sua segurança e a segurança do seu companheiro de ciclismo. Afinal, enfrentamos terra, chuva e todas as condições que o tempo nos impõe para nos divertir e confraternizar em grupo. Seja um ciclista consciente! 


Tão importante quanto definir qual uso você fará da sua bicicleta, é escolher um produto que case bem com o seu porte físico. O tamanho certo da sua bike vai te proporcionar mais conforto e desempenho na hora de pedalar, além de evitar posturas inadequadas e prejudiciais para a sua saúde.


Assim como qualquer produto de vestuário, na hora de escolher a bicicleta, deve-se sempre procurar um produto com um ótimo ‘caimento’. Você não terá o melhor desempenho jogando futebol com uma chuteira de numeração maior que a do seu pé, nem pedalando com um quadro desproporcional com o seu tamanho.
Hoje, a Tudo Bike dá algumas dicas de como escolher o quadro certo.
Imagem: reprodução
Para evitar problemas futuros, as dimensões do quadro devem estar de acordo com as suas! O que determina o tamanho da sua bike, é o seat tube, que é a distância entre o selim (banco) e os pedais. O que determina o comprimento do seu quadro é o top tube horizontal – a distância entre o tubo frontal (que suporta o guidão) até o cano do selim.
Um top tube mais curto é ideal para áreas urbanas, já que facilita que o ciclista se mantenha numa posição mais ereta, já para competidores, o ideal são os canos mais longos, já que o coloca em uma posição com o corpo mais reclinado, propícia para buscar mais velocidade e dinâmica.
Perceba que as numerações entre as MTB (Mountain Bike) e bikes de estradas (ou urbanas) são diferentes. Algumas empresas também trabalam com outro tipo de númeração, como S, M, L, XL. Uma pessoa de estatura baixa, entre 1,60 até 1,70, em média utiliza uma bike de porte pequeno (S-Small), enquanto entre 1,70 até 1,80 pode utilizar o tamanho médio (M) e assim por diante.
 Lembrete: sempre procure comprar sua bicicleta em lojas especializadas.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Veja algumas situações que geram acidentes de ciclistas no trânsito, e lições importantes de segurança que servem de estratégia para evitar que eles aconteçam.


Como evitar ser atropelado por carros

As lições a seguir vão além das recomendações normais de segurança para bicicletas, que costumam orientar sobre o uso do capacete e seguir as leis de trânsito.
Considere isto por um momento: o uso do capacete não vai fazer absolutamente nada para impedi-lo de ser atropelado por um carro. Sim, eles podem salvar a sua vida se você se envolver em um acidente, mas o seu objetivo número um deve ser evitar o acidente. Infelizmente, muitos ciclistas são mortos por carros, mesmo que eles estejam usando capacetes. Ironicamente, se tivessem pedalando sem capacetes, mas seguissem os conselhos a seguir, talvez estivessem vivos hoje. Em outras palavras: não caia no mito de que o uso de um capacete é a primeira e última palavra em segurança de bicicleta. Prevenir é muito mais importante que remediar.
O próximo conselho mais comum de segurança da bicicleta, depois de “usar o capacete”, é “seguir a lei”, o que não ajuda muito, pois é óbvio demais e as pessoas pensam que isso é tudo o que devem fazer. Aqui você tem um exemplo: a lei diz que o ciclista tem que trafegar nos bordos da pista. Mas ao fazer isso, você se torna menos visível para os motoristas que estão estacionados, e alguém pode abrir a porta à sua frente e causar um acidente; ou o motorista que vem atrás pode passar muito perto de você por pensar que não é necessário mudar de faixa para ultrapassá-lo. Nestes casos você está seguindo a lei, mas de uma forma que pode propiciar o início de um acidente.
Por isso, não vamos falar sobre a lei, mas em situações geradoras de acidentes, e como evitar ser atropelado nessas situações.

1. Cruzamento à direita


Esta é uma das formas mais comuns de colisão, ou como maior potencial de colisão. O carro está saindo de uma rua lateral, estacionamento ou garagem do lado direito. Observe que há dois tipos possíveis de colisão: você pode ser atropelado pelo carro, ou o carro cruzar à sua frente e você bater nele.
Como evitar esta colisão
1. Obtenha um farol: se você está andando à noite, você é obrigado a usar um farol dianteiro. Mesmo para passeios durante o dia, uma luz branca brilhante intermitente pode torná-lo mais visível para os motoristas que poderiam, de outra forma, não lhe ver no cruzamento. Há novos faróis de LED que possuem boa durabilidade, e luzes para serem usadas no capacete que são muito boas, pois você pode olhar diretamente para o motorista e ter certeza de que eles veem a luz.
2. Faça com que o vejam: se não conseguir fazer contato visual com o motorista, acene com o braço, ou utilize uma buzina. Se parecer que o motorista está prestes a sair sem vê-lo, grite alguma coisa, como “bike” ou simplesmente “hei”. Você pode se sentir um pouco deslocado ao acenar ou gritar, mas é melhor do que se sentir envergonhado por ter sido atingido.
3. Vá devagar: especialmente à noite ou quando o carro tiver vidros escuros, reduza a velocidade o bastante para você ser capaz de parar completamente, se for necessário. Claro, é inconveniente, mas é melhor do que bater.
4. Ande mais à esquerda: observe que na imagem há duas linhas, A e B. Você provavelmente está acostumado a andar na linha A, muito próximo ao meio-fio, porque você tem medo de que lhe atinjam por trás. Mas se coloque no lugar do motorista. Quando ele estiver olhando para o tráfego da estrada, ele olhará mais para o meio da pista, buscando outros carros. Seu olhar não vai estar tão focado perto do meio-fio. Quanto mais à esquerda você estiver (linha B), mais aumenta a sua visibilidade com relação ao motorista. Há mais uma vantagem: se o motorista não vê-lo e começar a cruzar a estrada, talvez você seja capaz de ir ainda mais à esquerda ou acelerar até sair da rota de impacto. Este método já me salvou em três ocasiões em que o motorista conseguiu frear ao me ver; se eu estivesse mais à direita, eu teria batido no carro inevitavelmente.
Você pode se preocupar com o fato de se tornar mais vulnerável aos carros que vem de trás por estar mais à esquerda. Mas as estatísticas dizem que é mais provável um acidente em um cruzamento à frente, do que uma colisão de um carro atrás de você, no qual o motorista pode lhe ver claramente. Como ambas as posições têm risco, o ideal é variar sua posição na pista conforme as condições da pista. Em ruas rápidas, com poucos cruzamentos, posicione-se nos bordos, à direita, mas em ruas lentas com várias ruas transversais, você aumenta sua segurança ao se deslocar mais à esquerda.

2. Portada


O motorista abre a porta à sua frente e você irá atingi-la em cheio se não conseguir parar a tempo. Este tipo de acidente é muito comum.
Como evitar esta colisão.
Ande mais à esquerda: pedale o mais longe suficiente à esquerda de forma que você não bata em nenhuma porta se abrindo inesperadamente. Você pode ficar preocupado em pedalar sobre a faixa dos carros, fazendo com que a ultrapassagem deles seja dificultada, mas é mais provável você receber uma portada de um carro estacionado do que ser atingido por trás por um carro que pode vê-lo claramente.

3. Surpresa na faixa de pedestre


Você está andando na calçada, atravessa a rua na faixa de pedestres e um carro faz uma curva à direita e avança na sua direção. Os motoristas não esperam bicicletas sobre a faixa de pedestres, e é difícil para eles vê-lo nessa situação, pois estão com a atenção no tráfego dos carros. Por isso, é muito fácil acontecer um acidente nesta situação.
Como evitar esta colisão:
1. Use um farol: como já foi dito antes, ter um farol, especialmente à noite, o torna muito mais visível.
2. Vá devagar: mantenha a velocidade o suficientemente baixa para, se necessário, ser capaz de frear a bicicleta completamente.
3. Não pedale sobre a calçada: cruzar a rua de uma calçada para outra é uma manobra arriscada. Se você fizer isso no lado esquerdo da rua, corre o risco de ser atropelado como na figura. Se fizer isso pela direita, corre o risco de ser atropelado pela traseira por um carro que tenha virado à direita. Você também pode ser atingido por carros saindo de estacionamentos, garagens etc. Além disso, você se torna uma ameaça para os pedestres. São acidentes difíceis de evitar, por isso, não pedale na calçada.

4. Na contramão


Você está andando na contramão, no lado esquerdo da rua. Um carro faz uma curva à direita de uma rua lateral, garagem ou estacionamento, direto para cima de você. Eles não te veem porque estão olhando para o tráfego apenas à sua esquerda; eles não tinham nenhuma razão para esperar que alguém esteja vindo na contramão.
Ainda pior, você poderia ser atingido por um carro na mesma estrada, de frente para você. Os motoristas neste caso tem menos tempo para reagir, porque eles estão se aproximando de você mais rápido do que o normal, já que você está indo em direção a eles, ao invés de se afastar deles.
Como evitar esta colisão:
Pedale sempre a favor do tráfego, na mesma direção. Pedalar na contramão pode parecer uma boa ideia porque você pode ver os carros que estão vindo e passando por você, mas não é e a seguir está o porquê:
1. Carros que saem de calçadas, estacionamentos e ruas transversais à frente ou à esquerda, estão olhando para o outro lado da rua, não estão esperando que algo venha na contramão. Eles não o veem e irão acelerar direto em cima de você.
2. Como você vai fazer uma curva à direita? No mínimo, vai ter que quebrar várias regras de trânsito e ferir a imagem que o movimento em prol da bicicleta tenta divulgar.
3. Os carros vão se aproximar de você a uma velocidade relativa maior, pois a sua velocidade será somada à velocidade do veículo. Por exemplo: se você estiver a 25 km/h e um carro se aproxima por trás a 60 km/h, então, a velocidade relativa é de 35 km/h. Mas se você estiver na contramão, a velocidade relativa será de 85 km/h, reduzindo o tempo que o motorista tem para reagir.

5. Sinal vermelho

Você para à direita de um carro que está parado no farol vermelho. O motorista não o vê. Quando o sinal fica verde, você se move para a frente e o carro vira à direita, para cima de você. Este cenário é especialmente perigoso com veículos grandes, como ônibus e caminhões.
Como evitar esta colisão:

Não pare em um ponto cego: ao invés de parar ao lado do carro, pare atrás do primeiro veículo, ocupando um lugar na faixa do tráfego. Isso faz com que você se torne visível por todos os lados. É impossível um carro atrás de você não o vê-lo, se você estiver na frente dele. Outra opção é parar no ponto A da figura, onde o primeiro motorista pode vê-lo, ou no ponto B, atrás do primeiro carro, de modo que o segundo motorista o veja claramente. Mas cuidado para não ficar ao lado do segundo carro e o motorista não o ver também.

Se você escolheu o ponto A, atravesse rapidamente a rua assim que o sinal ficar verde. Não olhe para o motorista para ver se ele vai em frente ou vai entrar. Se você assumiu o ponto A é porque está ansioso para atravessar a rua assim que der, então, vá rapidamente, apenas tenha certeza que os carros da rua transversal já estão parados na luz vermelha.
Se você escolheu o ponto B, quando a luz ficar verde, deixe o carro da frente arrancar primeiro. Fique para trás, porque ele pode virar à direita a qualquer momento. Nunca ultrapasse um carro pela direita. Tente ficar à frente do carro atrás de você até você atravessar o cruzamento, pois senão ele pode tentar cortar a sua frente para virar à direita.
Tenha sempre bastante cuidado ao passar por carros parados à direita no farol vermelho, pois há o risco de uma porta se abrir para um passageiro sair do carro, aproveitando a paradinha, ou ser atropelado por um carro que inesperadamente decida aproveitar uma vaga de estacionamento no lado direito da rua.

6. Fechada (parte 1)


Um carro passa por você e depois tenta fazer uma curva à direita na sua frente ou à sua direita. Eles acham que você não está indo tão rápido, pois você está em uma bicicleta, e acham que dará tempo de ultrapassá-lo. Mesmo que você tiver que frear bruscamente, o motorista talvez sinta que não fez nada de errado. Este tipo de colisão é muito difícil de evitar, porque você só vai percebê-la quando estiver acontecendo, e não haverá espaço para escapar.
Como evitar esta colisão:
1. Não ande na calçada: ao sair da calçada para atravessar a rua você estará invisível aos motoristas.
2. Ande mais à esquerda: ocupar toda a pista faz com que seja mais difícil para os motoristas o ultrapassarem, e muito mais difícil de virarem à sua frente ou em cima de você.
3. Use espelho retrovisor: ao se aproximar de um cruzamento, certifique-se de que algum carro não esteja se aproximando com a intenção de contornar à direita. Mas faça isso antes de chegar ao cruzamento, pois enquanto estiver atravessando a rua, você precisa prestar mais atenção ao que está à frente.

7. Fechada (parte 2)


Você está ultrapassando um carro mais lento ou mesmo uma bicicleta, à direita, quando inesperadamente ele faz uma curva à direita para chegar a um estacionamento ou entrar em uma rua, indo diretamente para cima de você.
Como evitar esta colisão:
1. Nunca ultrapasse pela direita: se um veículo à frente de você estiver indo muito devagar, diminua o ritmo e permaneça atrás dele, especialmente em um cruzamento. Provavelmente, ele aumentará a velocidade em algum momento. Se isso não acontecer, passe pela esquerda, quando for seguro fazê-lo. Ao passar, sinalize o seu movimento à esquerda antes de começar; vale também utilizar a buzina ou outra forma para garantir que o ocupante do veículo à frente o tenha visto.
2. Olhe pelo espelho retrovisor ao virar à direita: dessa forma, evita-se bater em ciclistas que violam a dica 1 e tentam ultrapassar pela direita. Certifique-se de que não há uma bicicleta vindo na sua direção. Mesmo que a culpa não seja sua quando outro ciclista tente passar à direita e bata em você, não vai doer menos em você quando ele lhe atingir.

8. Cruzamento à esquerda


Um carro vindo em sua direção faz uma curva à esquerda bem na sua frente, ou para cima de você. Este acidente é semelhante ao primeiro caso.
Como evitar esta colisão 
1. Não pedale na calçada: quando você vem da calçada para cruzar a rua, você está fora da visão dos motoristas que estão virando.
2. Obtenha um farol: especialmente à noite, as luzes o deixam muito mais visível no trânsito.
3. Use roupas claras e com faixas refletivas, mesmo durante o dia. As bicicletas são pequenas e mais difíceis de serem notadas.
4. Não ultrapasse pela direita.
5. Vá devagar: se não puder fazer um contato visual com o motorista, diminua o ritmo de maneira que você seja capaz de parar completamente se for preciso. É inconveniente, mas pode evitar um acidente.

9. Traseira (parte 1)


Você inocentemente se move um pouco à esquerda para contornar um carro estacionado ou algum outro obstáculo na estrada, e nesse momento um carro vem de trás para cima de você.
Como evitar esta colisão:
1. Nunca, jamais, se mova para a esquerda sem olhar para trás antes. Alguns motoristas ultrapassam os ciclistas sem respeitar a distância mínima de 1,5 metro, por isso, mesmo em movimentos mínimos para a esquerda podem colocá-lo na rota de colisão de um carro que vem de trás. Utilize o retrovisor para olhar para trás. Se for realmente necessário se virar para trás, cuide para manter a linha reta, olhando por cima dos ombros, pois a maioria dos ciclistas tendem a se mover para a esquerda ao olhar para trás, o que naturalmente pode ser desastroso.
2. Não fique andando em ziguezague, entrando e saindo da faixa de estacionamento, para desviar dos carros estacionados. Você pode ser tentado a andar na pista de estacionamento onde não há carros estacionados, voltando para a pista de tráfego onde há veículos estacionados. Mas isso coloca você em risco de ser colidido por trás. Pedale em uma linha reta e constante na faixa de rolagem.
3. Sinalize: nunca se mova para a esquerda sem sinalizar. Basta apontar o braço esquerdo para o lado esquerdo. Antes, porém, verifique se algum carro não esteja se aproximando muito perto antes de colocar o braço para esquerda.

10. Traseira (parte 2)


Um carro vem sobre você por trás. Isto é o que muitos ciclistas mais temem, mas não é realmente muito comum, no entanto, é uma das colisões mais difíceis de evitar, já que você não tem contato visual constante com o tráfego que vem atrás. A probabilidade de acidente assim é maior à noite e em ruas de tráfego mais rápido e de iluminação pior. O melhor jeito de evitar isso é planejar os percursos por estradas largas ou com ciclovias, de preferência em estradas secundárias onde o tráfego seja mais lento.
Como evitar esta colisão:
1. Tenha uma luz traseira: se você está andando à noite, você precisa usar uma luz traseira vermelha intermitente.
2. Use colete reflexivo ou triângulo de segurança: estar visível é imprescindível.
3. Escolha ruas largas: ruas em que caiba um carro e uma bicicleta lado a lado, em uma situação de emergência, podem permitir uma manobra e evitar a colisão.
4. Escolha ruas lentas: quanto mais lento um carro se locomove, mais tempo o motorista tem para vê-lo.
5. Use ruas secundárias nos finais de semana: o risco de pedalar na sexta ou sábado à noite é maior, pois há mais probabilidade de haver bêbados dirigindo, saindo de festas e bares. Nessas noites, utilize ruas secundárias, de bairro, e evite as vias arteriais.
6. Utilize um retrovisor: insisto neste item, pois depois que você começar a utilizar um espelho, vai se sentir inseguro sem ele e vai se perguntar como pode pedalar todo esse tempo sem ele.
7. Não abrace o meio-fio: este é um contrassenso, mas deixe um espaço entre você e o meio-fio. Isto lhe deixa mais visível e também lhe dá um espaço para se mover caso algum veículo esteja se aproximando sem diminuir a velocidade e sem espaço para fazer a ultrapassagem.