quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Ajuste rápido de câmbios
Foto: Ronaldo Huhm - Instrutor Técnico Shimano Latin America
O assunto deste artigo é de interesse de todos os amantes das bikes: ajuste de câmbios. Esse procedimento é simples e essencial, pois ajuda a preservar as peças da transmissão e evita que o passeio seja encurtado devido a uma possível quebra do componente.
Começamos o procedimento pelo câmbio dianteiro, que pode realizar uma comutação para coroas duplas ou duas comutações, em casos de coroas triplas. Este é um componente muito importante e o ajuste apropriado facilita muito a pedalada. Mas nem só de ajuste vive o câmbio dianteiro. É importante mencionar a compatibilidade de produtos.
Como mencionado, os câmbios podem ser:
  • Duplos (duas coroas)
  • Triplos (três coroas)
Atenção: procure evitar misturar produtos de marcas diferentes, pois os fabricantes empregam tecnologias diferentes que, se combinadas, podem não apresentar um bom rendimento.
As especificações do produto devem ser respeitadas para obter um rendimento de mudança satisfatório. É muito comum a combinação incorreta: coroas duplas X câmbio triplo. Existe a falsa impressão de que basta limitar o câmbio triplo que irá funcionar com coroa dupla, mas cada câmbio possui um perfil próprio, por isso é necessária a combinação do conjunto.

Raio X de um câmbio dianteiro

Agora que você já conhece alguns detalhes do câmbio dianteiro já podemos falar um pouco da regulagem. Ao observar o câmbio de perto você notará parafusos com as inscrições “H” e “L”, que significam HI e LOW, uma referência para a velocidade que aquela posição lhe proporcionará: HI - alta velocidade e LOW - baixa velocidade.
Ao ajustar o parafuso “H” você limitará a amplitude de movimento do câmbio, evitando assim que a corrente caia para fora do pedivela.
Ao ajustar o parafuso “H” você limitará a amplitude de movimento do câmbio, evitando assim que a corrente caia para fora do pedivela.

Trocadores

Além dos batentes, outro ponto muito importante para o funcionamento correto do câmbio é a tensão do cabo. Os câmbios são acionados a partir de um trocador ou alavanca que recolhe ou libera o cabo de acordo com o acionamento, fazendo com que o câmbio se mova conduzindo a corrente pelas engrenagens (coroas ou cassetes). Para que essas alavancas acionem os câmbios corretamente, de acordo com o passo indexado de cada marcha, a tensão do cabo deve ser apropriada: nem muito esticada nem muito frouxa.
Quando triplo, posicionado na coroa do meio e cassete maior, a placa interna do câmbio deve estar a 0.5 mm de distância da corrente. Na alavanca, geralmente existe um “esticador” que permite realizar o ajuste de tensão do cabo, possibilitando a sincronia das marchas. O procedimento para esticar ou soltar o cabo é o mesmo tanto para o câmbio dianteiro quanto para o traseiro. Em ambos podemos esticar ou afrouxar os cabos através desse esticador que fica posicionado no trocador ou no câmbio traseiro, mas nunca no câmbio dianteiro.

Câmbio Traseiro

No câmbio traseiro também existem os batentes ou limitadores que, assim como no dianteiro, possuem a mesma função, ou seja, limitar a área de atuação do câmbio. No entanto, no câmbio traseiro existe um outro parafuso de ajuste muito importante: o parafuso de “tensão B”.

Posicionamento do limitador de alta velocidade

Mas, cuidado: existe um ponto ao qual é necessária atenção: a gancheira do câmbio (parte do quadro da bike onde é fixado o câmbio traseiro). Caso haja uma queda ou batida no câmbio, essa peça serve como um fusível (inclusive, esta palavra é utilizada para designar a gancheira em alguns países latinos). Caso ela entorte, isso influenciará no trabalho do câmbio, uma vez que o mesmo ficará fora de alinhamento dificultando o ajuste e a troca das marchas. Nesse caso, procure uma loja especializada o quanto antes para realizar o alinhamento da gancheira ou até mesmo a sua troca. 

Posicionamento do limitador de baixa velocidade



segunda-feira, 27 de outubro de 2014


Canotes são simplesmente os tubos que prendem o selim ao quadro da bicicleta. Porém, apesar da função simples, é preciso saber escolher o modelo correto.


Canotes
Foto: Pedro Cury

Diâmetro

O diâmetro do canote não dá muita margem para escolha. É preciso que seja compatível com o diâmetro do quadro para que encaixe de maneira correta. Se for maior, não entrará no quadro e se for menor, ficará frouxo e não poderá ser fixado. Existe um certo padrão no mercado, porém existem exceções e canotes antigos com medidas fora desses padrões. Apesar das diferenças de diâmetros ser milimétrica, é muito importante usar a medida correta, pois o uso contínuo de uma medida errada pode danificar o quadro a longo prazo. Existem também adaptadores para o uso de um canote menor em um quadro de diâmetro maior, alguns deles funcionam corretamente, mas não é a solução ideal. 

Comprimento

Essa é a medida mais importante, pois vai definir o quanto o ciclista poderá levantar o selim. Além de verificar se a altura é correta para quem vai pedalar, também é preciso estar muito atento a quanto o canote entra. É preciso que ele ultrapasse a junção entre os tubos (ver figura), caso contrário há chances de danificar o quadro mesmo no primeiro passeio.
Aqui há alguma margem para escolhas. Caso a mesma bicicleta seja usada por mais de uma pessoa, é preciso escolher o canote que atenda a pessoa mais alta. No caso também da compra de um canote especial mais caro, um tamanho maior também é interessante, já que dará mais chances de aproveitá-lo em outras bikes ou em futuros quadros. Mas então, por que não comprar sempre um canote maior? Por dois motivos: nem sempre cabem em todos os quadros (pois o tubo do selim pode mudar de diâmetro internamente) e porque é um peso extra desnecessário. 

Material

Canotes podem ser feitos em aço, alumínio, titânio e fibra de carbono. A diferença principal será o peso.

Peso

Apesar de não ser o lugar mais importante para tirar peso da bicicleta, o canote também representa uma oportunidade. Um canote de mesmo diâmetro e medida pode ter uma diferença de peso de mais de meio quilo. Aqui vale a mesma regra geral dos outros componentes da bike: quanto mais leve, mais caro. Existem canotes de competição que são tão leves a ponto de restringir o uso de acordo com o peso do atleta.

Design

O design é outra característica importante. Aqui não falamos do design do tubo em si, mas sim do mecanismo que prende os trilhos do selim - popularmente chamado de "castanha".
Compatibilidade
Esses trilhos possuem diferentes diâmetros nos selins mais especializados e alguns canotes acabam tendo uma castanha específica para um determinado diâmetro máximo. Alguns selins também possuem o trilho com um formato oval, ao invés de circular, causando também essa incompatibilidade. Existem também sistemas especiais, nos quais ao invés de um par de trilhos, o selim possui outro tipo de encaixe. Nesse caso, o canote também precisa ser compatível.
Mecanismo de funcionamento
Outra característica da castanha é como ela permite o alinhamento do selim, tanto no ângulo que ele faz com o solo, quanto à sua distância horizontal. Alguns mecanismos são muito mais complicados de usar que outros ou não permitem um ajuste tão preciso. Existem castanhas que usam apenas um parafuso para fixação e ajuste do selim e outros que chegam a usar até 4.
Escala gráfica
Alguns canotes possuem ao longo do tubo uma escala com números impressos, o que serve como referência de altura para o ciclista. Assim, quem precisa ficar abaixando e subindo o selim constantemente ou compartilha a bicicleta, pode anotar ou memorizar a medida correta quando precisar reajustar. Algumas castanhas também possuem uma escala para a angulação e uma seta para o ajuste correto com a escala do trilho do selim.

 

Tecnologias Especiais

Canotes com suspensão
Existem alguns canotes no mercado que possuem sistema de suspensão integrado. Ao contrário do que algumas pessoas pensam, isso não substitui a suspensão traseira da bicicleta, uma vez que não estão ligados à roda e só funcionam com o ciclista sentado. O uso é indicado apenas para maior conforto em bicicletas de passeio, especialmente devido ao peso extra. Recentemente, surgiu uma exceção: a marca alemã Canyon lançou um sistema de amortecimento com a própria estrutura de carbono do tubo do canote, oferecendo um maior conforto nas bikes de estrada, sem adicionar peso extra.
Canotes anti-vibração
Diferente dos canotes com suspensão, esses prometem diminuir as vibrações geradas em bicicletas de estrada de competição. Parece um detalhe pequeno, mas estamos falando de atletas que ficam por muitas horas seguidas em cima do selim.
Canotes Ajustáveis
Conforme mostramos na edição 009, a grande novidade do mercado são os canotes ajustáveis. Eles permitem o ajuste rápido (inclusive através do guidão) da altura do canote, sem a necessidade de desmontar da bicicleta.
Canotes Inclinados (set back)
Esses modelos, ao invés de seguirem uma linha reta, possuem uma inclinação para trás. Isso serve para uma melhor adaptação da posição do selim em alguns modelos de quadro e estrutura de atletas. Algumas vezes, um quadro pode ficar pequeno para o ciclista e um canote set back acaba por rdiminuir o problema.
Canotes Aerodinâmicos
Alguns canotes de bicicletas de estrada e triatlo possuem um formato oval para ser mais aerodinâmico. Porém, são compatíveis apenas com quadros específicos.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014


Revisão geral de câmbio
Foto: Shimano

Material Necessário

1.    Chave Allen 3 mm 
2.    Chave Allen 5 mm 
3.    Chave Phillips 
4.    Desengraxante 
5.    Graxa
6.    Pano limpo 
7.    Luvas de borracha
Desta vez vamos mais fundo na brincadeira. Sabe aquela história de "com as peças que sobrarem é possível montar um robozinho?". Pois bem, nesse caso não podemos nos dar a esse luxo. Os câmbios da bicicleta demandam uma manutenção periódica, que deve ser feita com muita atenção aos detalhes. São muitas peças pequenas e parafusos com roscas delicadas, por isso, é necessário muito cuidado.
Iniciamos a revisão removendo o câmbio da bicicleta, com o auxílio de uma Chave Allen 5 mm.
Após a remoção do câmbio, desmonte-o conforme os passos a seguir:
  • Solte as polias com a Chave Allen 3 mm. 
  • Remova o parafuso da mola principal com a Chave Allen 5 mm para soltar a haste do câmbio.
  • Remova os retentores dos rolamentos das polias.
  • Junte todas as pequenas peças e prenda com um anel ou abraçadeira plástica, para não perdê-las.
  • Lave tudo com um desengraxante.
Remova os retentores com cuidado. Esses retentores possuem uma lâmina metálica por baixo da borracha, tome cuidado para não amassar ao retirar o selo. Observe a condição do rolamento, caso ele esteja danificado será preciso substituir a polia.
Limpe bem as peças. Aplique desengraxante em todas. As partes articuladas do câmbio merecem atenção especial, mas nunca aplique solvente, pois nessas articulações existem anéis de borracha que são sensíveis a esse produto.
Esfregue bem com uma escova (pode ser uma escova de dentes) para alcançar os pontos mais difíceis. Para a sujeira mais impregnada, utilize uma escova de roupas com cerdas firmes.
Como em qualquer processo de revisão, as peças devem ser organizadas de forma a agilizar a montagem após a limpeza.
Organize as peças limpas
Após a desmontagem, lave todas as peças com cuidado e atenção. Agrupe todas as pequenas peças para não perdê-las! Para isso, você poderá utilizar uma abraçadeira plástica, pedaço de fio ou arame.
Após a limpeza de todas as peças, inicie a remontagem do câmbio.

Montagem

  • Atenção à posição para encaixe da mola.*
  • Posicione o anel de aço.
  • Instale o eixo central.
  • Aperte o eixo com Allen 5 mm.
* Ponto onde é possível “ajustar” a tensão da mola.
  • Gire a haste do câmbio como na figura.*
  • Instale o parafuso batente da haste.
  • Aperte com uma chave Phillips.
*Cuidado, a haste pode prender sua mão, caso você a solte.

Lubrificação e Montagem das Polias

  • Aplique graxa especial no rolamento.
  • Espalhe bem para a graxa penetrar no rolamento.
  • Recoloque o retentor.
O rolamento das polias deve estar sempre lubrificado, caso contrário a polia poderá travar e levar à quebra do câmbio.

Montagem da Polia Guia

Aplique graxa no rolamento, espalhando para que a graxa penetre nas esferas. Em seguida, recoloque o retentor. A polia guia possui esferas muito pequenas, cuidado ao manusear esse rolamento, pois as esferas são soltas.

Montagem da Haste

Monte a polia guia e a haste interna apertando o parafuso da polia, pois caso esse parafuso se solte, o câmbio poderá se quebrar. Para finalizar, instale o câmbio na bike e ajuste. 
Pronto para mais aventura! Bons treinos!

quarta-feira, 15 de outubro de 2014


Acidentes nas trilhas - Como prevenir
Foto: Shutterstock
Qual dica de segurança você considera ser de vital importância para um ciclista?
O ano de 2013 acabou e ficou marcado pelos vários acidentes e tombos de ciclistas nas trilhas realizadas pelos grupos e amigos que pedalam juntos. 
Assim como vemos um aumento do número de ciclistas, percebemos também um aumento do número de acidentes envolvendo tais ciclistas. 
Os dados estatísticos não podem ser apresentados aqui de maneira verídica, no entanto, os relatos cada vez mais frequentes nos chegam aos ouvidos e pela internet de uma forma triste e preocupante.
Dentre esses vários acidentes, há casos de ciclistas iniciantes e também de experientes. Infelizmente, um dos vilões é a negligência dos envolvidos por querer fazer alguma manobra mais difícil com a bike, passar no meio de dois ciclistas sem avisar, trocar de faixa sem olhar para trás, não utilizar boa iluminação ao descer lugares acidentados no pedal noturno ou até por conversar muito perto com outro ciclista.
Algumas dessas negligências acima citadas fizeram com que alguns amigos e parceiros do ciclismo parassem no hospital e, em alguns casos, precisassem até de cirurgia. 
Em outros casos, mesmo avisados sobre mata-burros, buracos, locais de difícil trânsito ou trechos com possível presença de animais, alguns não tomaram os devidos cuidados e se aventuraram demais. 
Mas podemos evitar esses tombos que prejudicam o próprio ciclista ou até mesmo o companheiro que pedala por perto. Vou descrever algumas dicas que ouvimos muito nas trilhas ou depois que acontecem os acidentes, e sobre os quais nos questionamos várias vezes:
1 - Sempre ir para as trilhas com todos os acessórios de proteção e a bike regulada.
2 - Ao pedalar à noite, levar um farol de boa iluminação. 
3 - Sempre ouvir o mais experiente e não abusar da bike. 
4 - Em passeios com muitos ciclistas, na troca de faixa ou de direção, sempre olhar para os lados e para trás.
5 - Quando quiser passar algum ciclista, avise. Não tente passar no meio de dois ciclistas sem avisar. Prefira sempre ultrapassar pela esquerda, como manda na regra de trânsito, que é como estamos acostumados. 
6 - Manter distância quando for conversar com outro ciclista para o guidão da bike não subir no outro e alguém ir para o chão. 
7 - Não descer rápido demais lugares que não conhece direito, independentemente do tempo seco ou chuvoso. 
8 - Não tentar pular algum mata-burro ou obstáculo que não tenha 100% de certeza que irá conseguir, ou até atravessá-lo de lado como muitos fazem.
9 - Em descidas de certa velocidade, manter a distância do ciclista da frente, pois assim caso algum venha a cair, há tempo para desviar do acidente. 
10 - Sempre levar um celular caso necessite de socorro rápido.
O mais importante é que você tenha consciência de grupo e, principalmente, tenha cuidado com sua segurança e a segurança do seu companheiro de ciclismo. Afinal, enfrentamos terra, chuva e todas as condições que o tempo nos impõe para nos divertir e confraternizar em grupo. Seja um ciclista consciente! 


Tão importante quanto definir qual uso você fará da sua bicicleta, é escolher um produto que case bem com o seu porte físico. O tamanho certo da sua bike vai te proporcionar mais conforto e desempenho na hora de pedalar, além de evitar posturas inadequadas e prejudiciais para a sua saúde.


Assim como qualquer produto de vestuário, na hora de escolher a bicicleta, deve-se sempre procurar um produto com um ótimo ‘caimento’. Você não terá o melhor desempenho jogando futebol com uma chuteira de numeração maior que a do seu pé, nem pedalando com um quadro desproporcional com o seu tamanho.
Hoje, a Tudo Bike dá algumas dicas de como escolher o quadro certo.
Imagem: reprodução
Para evitar problemas futuros, as dimensões do quadro devem estar de acordo com as suas! O que determina o tamanho da sua bike, é o seat tube, que é a distância entre o selim (banco) e os pedais. O que determina o comprimento do seu quadro é o top tube horizontal – a distância entre o tubo frontal (que suporta o guidão) até o cano do selim.
Um top tube mais curto é ideal para áreas urbanas, já que facilita que o ciclista se mantenha numa posição mais ereta, já para competidores, o ideal são os canos mais longos, já que o coloca em uma posição com o corpo mais reclinado, propícia para buscar mais velocidade e dinâmica.
Perceba que as numerações entre as MTB (Mountain Bike) e bikes de estradas (ou urbanas) são diferentes. Algumas empresas também trabalam com outro tipo de númeração, como S, M, L, XL. Uma pessoa de estatura baixa, entre 1,60 até 1,70, em média utiliza uma bike de porte pequeno (S-Small), enquanto entre 1,70 até 1,80 pode utilizar o tamanho médio (M) e assim por diante.
 Lembrete: sempre procure comprar sua bicicleta em lojas especializadas.